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capitulo 1 – Vai com calma TINDERela

Tédio. Tudo que eu não suporto, meus dedos chegam adormecer de tanto deslizar a tela do celular pra lá e pra cá, que vidinha sem graça essa minha. Estava de ferias da faculdade então dava um tempinho para “não fazer nada”.

De repente me aparece um Nova Iorquino usando de um vocabulário absurdo para me deixar de boca aberta e pelinhos da espinha arrepiados. De primeiro ele achou que meu perfil era um fake, e mencionava minha pessoa de “criadores de Rachel”, eu não sabia se eu ria ou chorava, aliás, eu também não sabia se aquele perfil era verdadeiro ou não, enfim , resolvi responder com um “oi” bem fuleiro da minha parte.

Rachel : -Olá, caso eu perca meu sapatinho por aí, me mande uma mensagem no WhatsApp +5511…

As vezes eu me pergunto, que loucura é essa da minha cabeça de achar que eu sou a Cinderela? eu nem sou uma loira branquela que gosta de azul, ou muito menos sei cantar,chego tremer o vidro do boxe quando começo com minha total incapacidade de ficar com a boca fechada enquanto a água cai, acho que o máximo que posso comparar é meu tamanho de calçado 34 né. Que bobagem, o sapatinho nem tinha um número.

Fred: Olá princesa, aqui é o Fred do Tinder, eu nem acredito que me tornei isso para alguém, mas cá estou eu, e ainda bem que é para você..

Fred me mandou essa mensagem em áudio, e a voz dele soa na minha mente até hoje, sinceramente, apaixonante. Quando você não conhece uma pessoa pessoalmente ,mas escuta sua voz é como ela estivesse com você, e o Fred sabia como fazer meus pelinhos da espinha se arrepiarem.

Ele era um workaholic, um homem excepcional, bem mais velho que eu e sinceramente era uma montanha-russa de sentimentos nos quais ele me colocava com total ousadia de perguntar se eu queria estar ali, apenas acontecia, sem virgulas pensadas, estrofes planejadas ou frases feitas, apenas acontecia, até que chegou as reticências, ah , e essas doeram. não teve um pra sempre, aliás essa é uma palavra profunda de mais para usar com pessoas superficiais.

De repente o sempre não é mais pra sempre, e paixão não é amor, e um dia a gente cansa de promessas batidas e repetidas, e se tem uma coisa que eu perdi vontade nessa vida, foi cultivar expectativas, agradeço ao Rapha por isso. Amor é mar, não se contente com só quer molhar os pés. Quanto menos rotina mais vivência.

Eu e o Fred não demos certo, o tempo dele brigou com o meu, e não era essa a intenção, certo que só o tempo é capaz de intender um grande amor, e o carinho , a cumplicidade deve continuar do mesmo jeito. Ainda me lembro como aqueles olhos verdes me diziam muitas coisas, mas tive a lição que nem sempre ter razão é a coisa mais importante

Então vamos lá, deixa para lá. Apenas deixe acontecer. Deixe o vento levar, da mesma forma que trouxe, eu já havia quase me esquecido  que nasci no outono, folhas vem e vão, verdinhas, amarelinhas, vermelhinhas , e simplesmente sequinhas, uso no diminutivo pra me mostrar como amores de um deslizar de tela vem e vão. A diferença é que eu tenho a escolha deles irem para a direita ou para a esquerda, as folhas não. O que me conquista na verdade são atitudes, palavras, valores em um monte de coisas simples cujo o verdadeiro valor a gente só descobre quando apende ser leve.

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21ª Outono

Ah Outono, você chegou outra vez, sim, e você é a estação mais gostosa do ano, e o melhor presente que eu poderia ter todos os anos. Afinal, quem é que não gosta de um solzinho durante  dia e pra dormir o frio característico da estação?.

Certo como as folhas secas que caem no outono é o meu jeito errado de amar. Outono passado por exemplo, conheci o motivo dos meus textos, que clichê, bem no meu aniversário ele apareceu como um “presente”, graças a Deus ele se foi no verão, tá vendo como erramos ao amar, e amamos bem quando a gente errar.

O vento gélido que sopra no meu peito hoje, varrendo no meu coração folhas secas e típicas do outono, em seus vários tons de amarelo, marrom, verde, laranja e vermelho, que parecem formar desenhos com a dança quem fazem sob a regência do vento, como “as quatro estações de Vivaldi” que a gente sente mais não vê.

Sabe que daqui do meu mundinho eu vejo as folhas subindo e rodopiando no ar cada uma com uma história, e graciosamente caem ao chão, para que assim, haja possibilidade de nascer outros sentimentos.

O que aconteceu foi que acumulei amor no outono anterior, inverno, primavera, verão e acabei despejando sobre ele neste ultimo outono. Ele não entendeu, e se atolou naquela profusão de sentimentos, sufocado com a minha torrencial vontade de bem-me-quer e mal-me-quer, tal como as árvores sufocam as flores, a grama e o que estiver por baixo, já que cai de uma só vez. Que decepção. Mas fazer o que, amor é como a chuva no outono, cai de fininho, quietinha, mas faz transbordar.

Entretanto, há um momento em que nossas árvores cansam de derrubar as mesmas folhas, coisa de rotina sabe e no mesmo solo, por perceber que esse solo de nada nos oferece.
E tão certo como as folhas caem no outono, elas florescem na primavera, e eu estou pronta para novos ares e novas terras.
Mas eu nunca vou deixar meu gramado sem as folhas de uma árvore da vida, porque vai ser ela que vai fertilizar tudo ao meu redor.

Seja Bem-Vindo 21ª Outono. Seja Bem-Vindo 21 anos.